Educar para atrair mais investimentos

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Imagem fonte: http://www.agenciafiep.com.br/

O plano é ambicioso: em 10 anos, Pernambuco e Paraíba terão juntos um polo de educação e conhecimento automotivo de referência mundial – um ambiente inovador, em que a iniciativa privada e a academia se integram na formação de engenheiros, técnicos e na realização de projetos de pesquisa e desenvolvimento. Não é um trabalho simples. Mas o início do esforço conjunto foi simbolizado pela assinatura, ontem, de um protocolo de intenções entre instituições educacionais e a FCA Jeep, âncora do polo automotivo de Goiana, do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA). Mais de 140 profissionais, da multinacional e das entidades de ensino, tiveram reuniões técnicas e workshops até apresentar o plano para dar início à formação do polo. A relação dos primeiros cursos, muitos ainda em detalhamento, foram apresentados ontem em um evento dentro da fábrica em Goiana.O polo começará a produção comercial até março que vem. A Jeep está em pré-operação, fabricando protótipos. Ontem, pela primeira vez, a companhia permitiu a captação de imagens pela imprensa. Foi na oficina de montagem, a etapa que mais utiliza mão de obra em Goiana. “Nosso objetivo é em 10 anos podermos olhar no retrovisor e vislumbrarmos de fato um polo de educação e conhecimento automotivo que seja referência em níveis internacionais”, afirmou Erika Morreale, gerente de Recursos Humanos da América Latina FCA.

Adauto Duarte, diretor de Recursos Humanos do Polo Automotivo Jeep, conta que a primeira onda de implantação do projeto envolveu a fase de obras e instalação, que chegou a 8.200 trabalhadores. “Mas precisamos avançar”, enfatizou. Para a Jeep alcançar e manter um padrão de excelência global na produção, era preciso traçar uma estratégia permanente de preparação e qualificação de pessoal, dos níveis mais básicos aos mais avançados. “O conhecimento não é somente garantia de futuro para o empresário, mas também para a sociedade. É através do conhecimento que a sociedade vai evoluir do ponto de vista econômico e também social”, comentou Adauto.

“Esse tipo de conhecimento tem outra vantagem: ele atrai investimentos. Quantos empresários, mesmo de outro setor, dizem: ‘poxa, ali tem um centro de conhecimento, vou instalar meu empreendimento ali”, enfatizou. Para ilustrar a importância dos polos, ele falou do Porto Digital e também do famoso Vale do Silício, em Stanford, Estados Unidos, que começou com incentivos a pesquisas para a Marinha Americana e virou um polo global de tecnologia.

“Como sempre, nesses projetos, se pensa muito na questão tecnológica de um polo de conhecimento. Mas não é. Parte-se das pessoas”, explicou Stefan Ketter, vice-presidente mundial de Manufatura da FCA, à frente do Polo Automotivo Jeep.

Uma das inovações do plano é já partir com várias instituições de ensino, que desenharam com a Jeep uma grade de cursos de formação básica, graduação, pós-graduação e especialização, distribuídos em Pernambuco e na Paraíba. A maior parte está em formatação. Mas já existe a expectativa de alguns cursos serem oferecidos ano que vem.

“Vamos oferecer pós-graduação em engenharia automotiva. O curso deve começar em abril ou maio, com 480 horas de carga-horária e um ano e meio de duração”, explica Edmilson Lima, vice-reitor substituto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Inicialmente, a ideia é oferecer 40 vagas em duas turmas. O curso, ressalta Edmilson, é aberto a qualquer interessado – claro, para formados nas engenharias do setor, como mecânica ou mecatrônica.

O Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) está construindo novos campi ao norte da região metropolitana, explicou Ana Regina Ferraz, diretora do campus de Igarassu, uma das novas unidades, ao lado de Olinda, Paulista e Abreu e Lima. As sedes ficarão prontas em 2 anos, mas no período estruturas temporárias oferecerão cursos que não exigem laboratórios, como logística. Participam do esforço Universidade de Pernambuco (UPE), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Serviço Nacional da Indústria (Senai), Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Segundo Ketter, o Centro de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento no Recife, na antiga Fábrica Tacaruna, ficará pronto em até 2,5 anos. Até lá, o centro terá uma estrutura temporária, ainda sem endereço. Serão 500 engenheiros no trabalho para, no longo prazo, projetar carro inteiros em Pernambuco, enfatiza o executivo.


Fonte: http://www.mgcomunicacao.com/

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