Montadoras perdem R$ 42 bi em faturamento

montadora de carro

 

Nos últimos quatro anos, a indústria nacional de veículos perdeu R$ 41,9 bilhões em faturamento e cortou as remessas de lucro a suas matrizes no exterior em US$ 3,6 bilhões. Ao mesmo tempo, o setor passou a depender dos controladores estrangeiros para financiar necessidades de capital de curto prazo, o que já levou à captação de mais de US$ 3,3 bilhões via empréstimos corporativos apenas neste ano.

Os números fazem parte de uma radiografia da crise automotiva apresentada ontem pela Ford em um congresso organizado no centro da capital paulista pela agência de notícias Autodata para discutir perspectivas do setor. Compõe ainda o quadro a queda, também em quatro anos, de 1,1 milhão das vendas de veículos, com redução quase na mesma proporção (1 milhão de unidades) da produção.

“Não podemos dizer que há um processo de estabilização do setor automotivo e isso é muito preocupante”, disse Rogelio Golfarb, vice-presidente de assuntos corporativos da Ford – a quarta marca mais vendida do Brasil – ao comentar os resultados do levantamento.

Se 2015 tem sido dramático para a indústria automobilística, 2016 poderá ser um ano ainda pior. A General Motors (GM) está trabalhando com queda da demanda de 20% no planejamento dos negócios do ano que vem.

O diretor financeiro da montadora, Carlos Zarlenga, disse que a expectativa é de manutenção, em 2016, do ritmo aguardado para o último trimestre deste ano em taxa anualizada, o que significaria algo ao redor de 2 milhões de veículos, ou 500 mil unidades a menos do que está sendo previsto para 2015. “É o dado mais responsável que podemos usar como base de planejamento”, afirmou.

Pelas previsões da GM, o segundo semestre de 2016 deverá ser melhor do que a primeira metade do ano, mas a reação só deve vir mesmo a partir de 2017.
Em um ambiente de competição acirrada e custos de produção crescentes, dirigentes de montadoras reclamaram durante o congresso das margens de rentabilidade que, segundo eles, estão cada vez mais deprimidas.

Com base nos balanços de grupos que divulgam resultados na região, como a própria GM e a Ford, Zarlenga informou que a margem de lucro antes das despesas com dívida e impostos das subsidiárias na América do Sul ficou negativa em 8,1% em 2015. Três anos atrás, a margem de rentabilidade passava de 4%.

“Isso não é sustentável”, afirmou o diretor financeiro da GM. “Houve deterioração de margens muitíssimo maior do que a deterioração dos volumes”, concordou Golfarb.
Para aliviar a pressão sobre a rentabilidade, executivos das montadoras concordam que a indústria terá de acelerar no ano que vem programas de contenção de gastos, ganhar produtividade e repassar aos clientes o aumento do custo de produção.

Roberto Cortes, presidente da MAN, adiantou ontem que a montadora de caminhões pretende antecipar já no mês que vem parte do reajuste de 7,5% da linha que estava previsto para janeiro. Agora, os preços vão subir 2% em novembro e mais 5,5% no primeiro mês de 2016. “A prioridade nesse momento é gerar caixa”, disse Cortes, ao ser questionado sobre um possível impacto negativo dos novos preços sobre o volume de venda.

A MAN também está negociando a participação no programa de proteção ao emprego, o PPE, para suavizar custos trabalhistas e administrar, sem demissões, o excesso de mão de obra na fábrica de Resende, no sul do Rio de Janeiro – estimado em 1,4 mil operários, ou o equivalente a um terço do efetivo de 4 mil funcionários empregado no local.

Ontem, contudo, operários da MAN reprovaram uma primeira proposta, que previa redução da jornada de trabalho em 20% a partir de janeiro, com corte proporcional nos gastos da montadora com salários. Como o governo, pelas regras do PPE, complementa parte dos salários com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), a perda salarial dos operários da fabricante cairia para 10%.

A empresa e o sindicato da região voltaram a discutir ontem mesmo uma nova proposta, que deve ser submetida ainda hoje à votação. A ideia da MAN, com a ferramenta, é substituir o acordo coletivo em vigor até dezembro que reduz os salários de seus funcionários em 10%.

Segundo Cortes, a indústria brasileiras de veículos comerciais pesados – entre caminhões e ônibus – está operando com ociosidade superior a 70%. Já nas contas da GM, que incluem as fábricas de carros, o excesso de capacidade nas montadoras nacionais chegou a 53%.

Se considerada também as fábricas na Argentina, que complementam a produção brasileira, a ociosidade fica em 41%, segundo dados da Ford. “Imagine como é ter 41% de custo fixo no qual você não tem como compensar. Isso é o que não deixa ninguém dormir. Como é que se administra isso?”, comentou Golfarb.

Em geral, representantes da indústria automobilística ainda enxergam um futuro promissor no longo prazo, razão pela qual nenhum investimento foi suspenso até o momento. Apesar do novo tombo aguardado para o ano que vem, as projeções da GM apontam para um crescimento anual de 14% das vendas de veículos no Brasil na média entre 2016 e 2019. Nos anos seguintes, até 2026, a evolução no consumo de veículos cai e deve passar a ser de 4,3%.

Ainda assim, as montadoras brasileiras, nas estimativas da direção da General Motors (GM), terão que aguardar mais uma década para retomar patamares de 2012, quando as vendas passavam de 3,8 milhões de veículos.

Fonte: http://www.infomet.com.br/site/

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